Pra que tanta cerca? Perguntava-se encarando a frio a noite
que se insistia amarela, iluminada. Grave de cachorros, rija. Não queria chegar
em casa, mas o portão já se aproximava, pés em ato contínuo, chave na mão. De
onde vinha? Inconsciência. Obvio que estaria vazia, a casa. Seu meio cheio era
fora do mundo, o que lhe faltava já não estava aqui, partiram sem avisar.
Deixaram abraços, carinhos, mas sim, foram sem avisar. E ele ficara, para
sempre a ser ele condenado, apenas ele daqui pra frente, sem divisórias ou
divisões, a tornar-se o que sempre renegara: mais um desses eus enormes. Porém, lutaria, e não seria, afinal, não nasceu praquilo, ele era nós, sempre fora e
disto ser não abriria mão. Aliás, com ela fechada, acertaria, na ponta do nariz
do mundo, um murro bem dado, mas só depois de tomar banho e comer alguma coisa.
Por hora, a passos lentos, só pensava em não ir pra casa, que se aproximava. Ao invés de chegar, iria encontrá-los, os que importam,
no fundo de um fundo verde qualquer, ficaria com eles até que a manhã amanhecesse,
amarela, tão grave de passarinhos quanto leve de azul saudade, no entanto vazia, tal como a casa, a manhã, o mundo e a cerca. Acerca de se, cercado de si, sabia apenas ser sozinho, e só.
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