Como procurasse algo que ser, andava - quase sempre - a
olhar para o chão. Não sabia o que, onde, nem o senão daquele olhar
concentrado, mas queria achar. Procurava. O caminho. Esse se produzia na hora,
no passo, no levantado do pé, que antes de sair do chão pouco sabia onde
calharia retornar. Contudo, menos que a cabeça os pés não sabiam. Que essa
tinha – por convenção ou vocação – de saber - sempre - das coisas do mundo. Todo.
O caminho. Esse era feito feito fosse produzido na hora, como agora repito.
Dava voltas. À lugar nenhum é que ia. Rondilhava, seu andar era como os textos
que escrevia, textos sem mares, nunca chegavam a lugar algum. Algum, por sinal,
era sentido que às vezes tinham aqueles escritos que escrevia. Não, na maioria
das vezes. Escrevia e andava feito fosse a vida, e adorava esses tais de feito
fosse, adorava escrever feito fosse por que achava feito fosse muito bonito de
falar. Se funcionava na escrita, disso não sabia. Acho que você já notou: de
nada ele sabia. Fazia tudo feito fosse fazer, mas não fazia era nada. Vivia
feito fosse viver, e morria. Fosse a morte revogada nem sua vida teria final, ele
não tinha acabativa; seria feito fosse seus textos, seu caminhar na calçada ou
no sonho. Nada era nada: vivia feito fosse sonhar, sonhava feito fosse viver,
beijava feito fosse amar, mas amava feito fosse perdido: de preferência o que já
houvesse perdido. Como cachorro contra o próprio rabo a correr, rodava. Feito
fosse...
Escreveu esse texto feito fosse escrever, e não escreveu.
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