terça-feira, 21 de outubro de 2014
quinta-feira, 26 de junho de 2014
O meu lugar
Lugar não é um espaço, é um com quem. Por isso um sem alguém - ou com ninguém - significa lugar nenhum - ou lugar algum. É, portanto, um não estar. Sou deslocado de latitudes, abandonos me localizam. Bússolas me erram. Sou carente de pertitudes. Sem alguém não estou. Na verdade, é sem eles que não sou - mais. Quando com - eles - já fui, sem - eles - não. Quem os encontrar me acha, quem os achar me encontra, quem os achar me avise, me encontre, e diga a eles que estou aqui. Onde? Não sei, pergunte a eles, é lá que estarei.
No meu olho vermelho
Há sempre - em mim - uma lágrima a cair, e dentro dela - sempre - uma vida a desenrolar.
Nada - nem ninguém - além disso, digo, deles.
Quero escrever sobre os meus irmãos. Isto, quero escrever sobre os meus irmãos. Está decidido, só irei escrever sobre os meus irmãos. Sempre, e apenas sobre eles, os meus irmãos. Não haverá outro assunto senão eles: meus irmãos. Quando não souber escrever sobre os meus irmãos, que eu rabisque, em qualquer pedaço, do caderno ou da minha cabeça, isto, de que nunca quero me esquecer: quero - e só vou - escrever sobre os meus irmãos.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
des-atando Nós
O pessoal não deu conta.Ao contrário de mim, eles não sabiam ficar sozinhos. E nem queriam. Assim, se foram. Nós ficamos, ela e eu, juntos, e - por mais estranho que seja - menos sozinhos de nós dois que antes éramos, quando tínhamos de dividir nossa existência com mais de nós, muitos de nós, e não somente - e apenas - entre nós dois: eu e ela. Penso: a (a corda da) vida dá muitas voltas, mas também muitos nós.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Em (mi menor)
Hoje escrevi uma canção pra ele.
Em La alto e estridente ela começa assim bem lenta, com muita Do de mim menor.
É que fiquei tão pequeno quando ele partiu que tive de compô-lo,
torná-lo palavra para fazer-me música.
E fiz, hoje de manhã.
Na segunda estrofe, embora seja uma canção escura,
rimando dores com amores ela inventa cores, igual eu fiz.
É uma canção estranha.
Na terceira parte meu Si bemol reclama cuícas que o refrão ignora
sonhando acompanhamentos que nunca chegam.
É que ele já não tá mais aqui, e a música é de um violão só,
e sem cavaco.
Como todo refrão, sonhador, carnavalesco,
ele inventa alegrias pro povo dançar,
nem que na melodia só-zinha.
E então, como se feliz fosse a canção, o povo dança, enganado, tanto quanto o compositor, que crê ter composto música melhor do que a que ele o deixou:
uma marchinha que se chama "abraço", apertada, compassada, e que nunca termina, cheia de Si, de Me, mas sem Ele.
Hoje - mal - tocada só em Mim menor,
bem pequena.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
domingo, 18 de maio de 2014
Ele e Ela, o pouco que sobrou
Acordou antes de abrir os olhos, e
antes de conferir-se sabia, aquele seria um dia de saudades. Saudades do povo,
da vida de ontem, das conversas, do contato. Havia tempo não acordava daquele
jeito, deformado daquela forma. Há dias achava-se novamente conformado ao mundo
e este a ele, mas naquela manhã fora do lugar é onde tudo parecia estar,
novamente, tal como alguns meses atrás. Talvez fosse o cinza do céu, a chuva
fora de época, ou nada disso, apenas o fato mesmo de que aqueles que falta
faziam eram há três anos tudo o que de mais importante considerava na vida.
Apenas isso, era do que se lembrava: que se encontrava vazio de lugar, de
sentido, de referências para saber-se cheio ou não. Não era muito do que
se lembrara, apenas disso, de que seu tudo era nada de uns anos pra cá, ou assim havia se tornado, entornado. Por umas semanas
esqueceu-se de toda essa verdade, e ficou bem, mas agora relembrou-se dela, e descobriu que nunca a havia esquecido. Nem mesmo o café quente esquentava o dia, era domingo, haveria samba, choro, vela, mas estava frio, cinza. Ele, ao contrário, amarelava saudade, tremia abraços, dividia - consigo - solidão. Antes, quando outros com ele disputavam solidão, solidão sobrava. Hoje ela havia de sobra, igual a ele.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
na estação de ônibus
Gosto de começar com verbos, por isso digo chorava. Poderia ser chorei, mas sendo inverdade não digo, eu já tinha chorado. Noutro tempo, tempo atrás. Agora era ela, e ela chorava. Choro de verdade, choro de morte, choro copiado de quem ligou para dar a notícia, choro copioso. Senti de longe, entorpeci, marejei, meu rosto molhou, e da janela do ônibus revelei a quem quisesse o final precoce da minha noite, o adiantar da minha meia noite. A dela - certamente - seria bem mais longa, estava apenas começando. Se bem me lembro destes dias, aquela noite não terminaria nunca. Sim, me recordo, por quatro vezes eu também nunca mais amanheci, pago ainda por estas noites nas minhas olheiras, nas risadas, no bar, no cansaço de ser, no desembaraço para chorar facilmente e sempre, que quiser e que precisar. Enquanto a mim devo este sono, a mim a vida deve presenças. E minha amiga, que da janela vejo ainda a marejar-se, quanto deve ao mundo? Menos que eu? Mais? Seus olhos são fundos, rosto machado, inchado é o coração, eu vejo. Pouco não é, ela deve muito, eu sinto, eu sei. Se os seus não mentem, os meus não se enganam, com olhos de quem sabe chorar eu vejo, ela chora, mais um vez. Não é a primeira, não será a última, eu sei, nunca é.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
só
Pra que tanta cerca? Perguntava-se encarando a frio a noite
que se insistia amarela, iluminada. Grave de cachorros, rija. Não queria chegar
em casa, mas o portão já se aproximava, pés em ato contínuo, chave na mão. De
onde vinha? Inconsciência. Obvio que estaria vazia, a casa. Seu meio cheio era
fora do mundo, o que lhe faltava já não estava aqui, partiram sem avisar.
Deixaram abraços, carinhos, mas sim, foram sem avisar. E ele ficara, para
sempre a ser ele condenado, apenas ele daqui pra frente, sem divisórias ou
divisões, a tornar-se o que sempre renegara: mais um desses eus enormes. Porém, lutaria, e não seria, afinal, não nasceu praquilo, ele era nós, sempre fora e
disto ser não abriria mão. Aliás, com ela fechada, acertaria, na ponta do nariz
do mundo, um murro bem dado, mas só depois de tomar banho e comer alguma coisa.
Por hora, a passos lentos, só pensava em não ir pra casa, que se aproximava. Ao invés de chegar, iria encontrá-los, os que importam,
no fundo de um fundo verde qualquer, ficaria com eles até que a manhã amanhecesse,
amarela, tão grave de passarinhos quanto leve de azul saudade, no entanto vazia, tal como a casa, a manhã, o mundo e a cerca. Acerca de se, cercado de si, sabia apenas ser sozinho, e só.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
quinta-feira, 1 de maio de 2014
tenho
medo,
dos roteiros mais que dos dragões,
da neve mais que dos anões,
dessa verdade, assim como dos chavões,
destes mocinhos bem mais que dos vilões.nojo?
dessas baratas menos que de carrões,
dessas meninas mais do que de ladrões,
destas mansões, dessas mansões, tesas mansões, mansões...
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Nonada
Abandonado o menino danado. Nada de
nada fazia, coisinha ou outra só, nada demais, nada de menos. Nadava, de nada a nada mergulhado no abandono,
e quando lá pousava, na terceira margem, seco, pés sujos de lama, corria no
mato danado, mas nada havia, nada o via, nada alcançava. Claro, lá nada havia! Tava nada lá! Nada tava nele, e não lá! Que é que queria encontrar? Nada!?
De nada adiantava nadar, fosse que lado fosse, sabia! Disso sabia, mas nada de nadar o fazia deixar. Teimoso, sempre nadava, nadava sempre. Nadando, nunca desistia. Em nadando, se
sentia, existia. Não nadasse que faria? Nada é quem não faz nada,
pensava. Quem nada faz, faz! E se abandonava, em nada nadando, nadando em nada, abandonada. Menina danada, menino do nada.
terça-feira, 1 de abril de 2014
Aquele moleque, do prédio.
Vestindo
apenas short, ele estampa no peito magrelo, ossudo, o negrume de cor e de sol,
negrume do brincar diário e nunca falho por toda a tarde entre as pedras do
estacionamento. Entre os carros e as outras crianças ele se destaca faceiro,
rápido, e daqui de cima, de longe, me parece o mais astuto, não tenho dúvidas.
Foi dele que gostei desde logo que mudei. Carinha de marginalzinho de favelas,
desses que a polícia bate antes de perguntar o nome ou a graça da avó, já que
pai – legítimo - não deve de ter – mãe pode ser, e pode não ser. O moleque é a cara de uma
letra de Rap, é a própria rua, a periferia em pessoa miúda e desamparada.
Solto,
vadio e bonito, de uma beleza vermelha e uma simpatia gratuita, o menino
cumprimenta a todos que passam no vai e vem de suas vidas medíocres. Nem todos
respondem de boa trova o sorriso que oferece por vezes até sem querer. É que
ele, baixinho, no patamar duns oitos anos, traz a boca sempre aberta por custa
do olho que fecha à proteção da claridade do sol e passa o dia todo no
riscado, chinezinho, sempre a tencionar as bochechas pra cima, mostrando a
dentição, modo um sorriso – às vezes nem é.
Como
próprio do meu costume, e mesmo por despeito do gostar escondido no peito,
quase nunca é que dou ao moleque mais de duas ou três palavras. Porém, felicidade
me deu o acaso no dia que por distração me fez pisar de leve o carrinho que
brincava o negrinho, nas escadarias que dão pra rua. – Desculpa! Falei com ele,
realmente assustado. - Quebrou? Não, disse ele sorrindo. – Foi mal mesmo tá, mandei
nessa frase um sorriso e emendei perguntando se podia fechar o portão, tratando
o moleque feito fosse um adulto, dignamente. – Pode fechar, respondeu todo
criança, sem se importar com honrarias. Ainda no meio do estrondo do portão, ouvi
a voz rouca me chamar, olhos abertões, iluminadinhos: - Cê luta capoeira? Meu
sorriso, maior que o dele, disse que não. – Só pareço, não luto nada. Grave,
mandei um tchau amigo pra ele, voz macia de velho conhecido, e saí imaginando
que se lhe houvesse quebrado o carrinho daria outro, na manhã seguinte, dia de
natal.
Sem intenção de querer afirmar que meu
burro é mais cavalo que o dos outros, não me privo de dizer que nem todos os
moradores dão ao moleque um tratar feito o meu, da véspera de natal. O normal
dele receber é o olhar de cadê sua mãe?,
quando não a voz mesma a perguntar, brava: Cadê sua mãe? E chinezinho, a olhar
pra cima, a resposta corrente é que a avó tá lá em cima, no quinto, cuidando
dos irmãos. Quantos eu não sei, mas essa meia vida me sopra que devem de ser
muitos, por intuição.
Arteiro como criança livre, o magrelo não
apronta mais do que o necessário para a idade vivente. À correr atrás de bola
ou descendo de rolimã a rua ingrimada, ele assemelha viver infância de uns
trinta anos atrás. Falta-lhe talvez um pião à mão ou um bodoque na algibeira da
cueca amarela. De nada parece moderno, a imagem dos pés é a fotografia dos
tempos da escravatura, quando se o pretume não era forte, o calçado ainda
separava, de longe, pessoa de bicho, gente que vale e que não.
As mães das outras crianças, modernas donas
de casa, do alto de suas janelas passam o dia a proibir a meninada de
perambular com aquela má influênciazinha. Levando na cor a culpa por toda marca
de bola ou para-brisa quebrado, o moleque é o líder e responsável por toda
confusão diária, mesmo quando inocentado pelo autor. - Não foi ele, mãe! Se as mães temem a ele, a
criançada de nunca o abandona, que pra brigar e tirar virada em peladinha de pé
descalço igual a ele não tem melhor parceiro. Além disso, se de todo o saber
ler ele ainda não tem, das histórias de adulto por ali não havia melhor
contador. Ensinava, fazia escola nos fins de tarde, quando, sentados ao meio
fio, à beira do portão, toda a meninada ouvia atenta as mentiras sobre beijos,
peitinhos, punhetas e bundas. Claro, sempre encenadas, alias, obcenadas, por ágeis mãos e cintura mole
de gingador experiente. Os pais, principalmente os de meninas, a retornar do
trabalho àquele horário, enlouqueciam ao surpreender aquele infanto seminário
erótico. De seu lado, a criançada adorava. E sob o xingado de algum pai
qualquer, um pouco mais adultos, numa correria desembestada eles subiam aos apartamentos. Com sorte, as histórias contadas pelo negrinho poderiam aos
sonhos inspirar esboços do que haveria de vir nos anos seguintes. Imagens
confusas, estranhamente prazerosas, coisas de só serem totalmente compreendidas
no depois, quando o saber juntasse o fazer. Por hora, era tudo brincadeira. E o
neguinho ainda vivia...
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
talk
...você tá aí? Acordei com vontade de saudade e queria conversar com alguém, imaginar como seria... você, nós, eles.
---
...ta aí?
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...me responde!
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É que eles também não estão, se foram, todos. Chamei aqui mas ninguém não aparece, nem alguém. já se foram. Cê sabe deles? Souber me fala, tá. Tenho de ver umas coisas, dividir, combinar uns passado pra gente fazer junto...rs
---
...oiiiiiiiiiiiii
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Ah, tô melhor, avisa aê, foi coisa boba. Vida é a gente, Outro é motivo que não deve, embora seja. Os outros que devem são quem são...e a gente sabe... ôôôÔ, e a gente, como sabe! Dor é medida, amor é palavra. Eu já medi, com vocês, lembra? ...então,, resto do mundo fica baixo depois, besta... cês tinham de ver... Fosse o contrário, ficassem, vocês, ces iam notar como o resto resta bem pouco depois disso... sobra até.. é quase só útil, de uso pra viver, rsrss... ultimamente ando é rindo... aff, mediocridade... Disso, agradeço até meu pai. motivo bom foi todos, foi nós - quando - Todos, quando plurávamos. Lembro direto dagente. Ali era!, e era mesmo!
---
---
Ow, então tá! :/
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Ahh...tava rindo ontem...rs ...Lembrei de quando foi para São Paulo, e brinquei que quisesse que não voltasse. Você quase que não voltou mesmo, e voltou: provou que me amava, medimos juntos, ce viveusse até eu voltar. Me esperou...mas depois não esperou. Esperasse eu tinha ido também. Chata. Queria que fosse, ainda, é o que eu queria.
---
tá aí mesmo não, né!
---
Foi-se?
---
Me chama aqui amanhã, ou quando quiser - fala com os meninos também. Só chamar, qualquer hora, que vou. Saudade do cês. Mesmo que não houver nada eu vou... precisa preocupar não! ...só pra trocar ideia mesmo, . Tá!? Não esquece de me chamar...se pá até fico de vez, dAí a gente conversa...sempre! :)
Beijo.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Conversa de botas batidas
Conversa,
de bota,
com meus irmãos,
é a restante,
minha cota.
Amor, em abraço sem cheiro, desbota.
Nossas, são as botas que vadiam em outras rotas,
Tortas, que botam vidas noutras rosas, mortas,
como um cavaquinho de poucas notas
- que mesmo sem choro -
me embota,
desloca,
e meu rumo, perdido denota.
Um pretume, sem cota
me corta, me anota,
rabisca - num canto:
vida ímpar - sozinha - canhota.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
sonhástico
Um gato morreu de rir do coelho.
Meus sonhos tem feito poesia,
só pode.
Poesia barata, infantil, não sei,
mas tem.
Que tem, tem!
Num meio feio de uma rua qualquer:
um bob esponja fumante,
um coelho - o abel do ursinho poof -
e um gato - tipo garfield, mas que não era ele -
e que morre de rir quando o coelho lhe conta uma piada
e volta, ressuscita, explicando a situação, dizendo:
- Abel, sua literatura é medíocre, mas as piadas são demais!
Meus sonhos tem feito poesia,
só pode.
Poesia barata, infantil, não sei,
mas tem.
Que tem, tem!
Num meio feio de uma rua qualquer:
um bob esponja fumante,
um coelho - o abel do ursinho poof -
e um gato - tipo garfield, mas que não era ele -
e que morre de rir quando o coelho lhe conta uma piada
e volta, ressuscita, explicando a situação, dizendo:
- Abel, sua literatura é medíocre, mas as piadas são demais!
Mudo
Não sei se eu seria o que sou não fosse o que fui,
mas trocaria as dores que me fizeram por um bocado de não ser.
Nesses pensamentos do que eu seria ou não
- não fosse o tudo que me ocorreu -
escrevi esse poema pro João.
Falasse e abraçasse ele ainda por aí - tenho certeza -
esses textos seriam um não.
Trocaria, claro,
palavras por um irmão.
mas trocaria as dores que me fizeram por um bocado de não ser.
Nesses pensamentos do que eu seria ou não
- não fosse o tudo que me ocorreu -
escrevi esse poema pro João.
Falasse e abraçasse ele ainda por aí - tenho certeza -
esses textos seriam um não.
Trocaria, claro,
palavras por um irmão.
em círculos
Como procurasse algo que ser, andava - quase sempre - a
olhar para o chão. Não sabia o que, onde, nem o senão daquele olhar
concentrado, mas queria achar. Procurava. O caminho. Esse se produzia na hora,
no passo, no levantado do pé, que antes de sair do chão pouco sabia onde
calharia retornar. Contudo, menos que a cabeça os pés não sabiam. Que essa
tinha – por convenção ou vocação – de saber - sempre - das coisas do mundo. Todo.
O caminho. Esse era feito feito fosse produzido na hora, como agora repito.
Dava voltas. À lugar nenhum é que ia. Rondilhava, seu andar era como os textos
que escrevia, textos sem mares, nunca chegavam a lugar algum. Algum, por sinal,
era sentido que às vezes tinham aqueles escritos que escrevia. Não, na maioria
das vezes. Escrevia e andava feito fosse a vida, e adorava esses tais de feito
fosse, adorava escrever feito fosse por que achava feito fosse muito bonito de
falar. Se funcionava na escrita, disso não sabia. Acho que você já notou: de
nada ele sabia. Fazia tudo feito fosse fazer, mas não fazia era nada. Vivia
feito fosse viver, e morria. Fosse a morte revogada nem sua vida teria final, ele
não tinha acabativa; seria feito fosse seus textos, seu caminhar na calçada ou
no sonho. Nada era nada: vivia feito fosse sonhar, sonhava feito fosse viver,
beijava feito fosse amar, mas amava feito fosse perdido: de preferência o que já
houvesse perdido. Como cachorro contra o próprio rabo a correr, rodava. Feito
fosse...
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