Gosto de ler em mim minhas poesias envelhecidas. Nelas
encontro a tristeza de ontem e que não raras vezes plangem ainda a criança de
hoje. Das visualizações do meu blog, metade inda vem de mim. Meu público sou
eu. Não é vaidade pois que seja na verdade algo apenas como revisitação. É que
minha vida anda de revés, como um carro que vence a distância do tempo na
marcha da ré. Ou um caranguejo, que mesmo quando pra frente caminha está sempre
que meio de lado, de banda.
O pra frente dele é torto, como o meu. Comungamos de
efeitos de nascença.
Meu menino, quando cresceu, também não perdeu o olho da
nuca. E isso muito é que piorou os efeitos desse azul. Olho que a vida tratou de por óculos, por modo que hoje ele vê o passado
de ainda mais longe, e melhor. Com lentes de ver de longe, mesmo os passados de ontem
empoeiram-se de horizontes, como se houvessem sido distantes de tempo e de
lugares. Coisa que não são. Ultimamente ando muito revisitado. Quando morrer eu
também vou visitar minha mãe mais que meus amigos, e ela se sentirá revisitada.
Gozarei de nobrezas de passado.
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