sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O meu lugar

Quero cantar. É a frase que me vem à cabeça e que eu sem pestanejar escrevo nas linhas do texto que nem sei onde vai dar. E assim realizo-a, canto. Canto sob os lugares comuns que deixo fluir enquanto a referência piegas à coloração avermelhada do fim da tarde pede também passagem neste desvairado conto. Permito. Lugares comuns são bem vindos. A noite traz seu frio sob o vermelho das árvores, escrevo. Rimarei também fel com mel, coração com amor, e me tranqüilizarei. Sinto-me como se respirasse o ar mais limpo dos ares da babilônia - que nem sei de onde tirei, e profundamente. Fecho os olhos, inspiro, respiro. Assento-me nas palavras acostumadas, e elas me acolhem, como a comparação com o abraço de mãe que insinuou-se na cabeça vazia, agora a pouco, no segundo que passou. Seguro-me, serei forte. Não chegarei a tanto: a relação entre mãe e proteção é uma verdade, não uma alusão, e não a darei vida neste texto. Mãe é pra quem tem, não é coisa pra devaneios. Decido então seguir apenas escrevendo, mas sem muita vazão às acostumadas relações batidas, muito usadas, já que por vezes estas nos prendem e não soltam. Que voem, todas as letras, boas ou más. Soltarei agora, para que leias, obscenidades. Está resolvido. O que achas? Tenho autoridade para tanto, ou devo contentar-me com diários? Limitar-me à incompetência de medíocres descrições de pensamentos interiores? Tudo bem, não se preocupe, sei do meu lugar, e, aliás, dele não abro mão. Abraço-me aos meus costumes e tranqüilizo-me, profundamente, como uma criança no colo da mamãe.

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