terça-feira, 24 de setembro de 2013

Meus muitos inomináveis

Há em mim coisas que não consigo dizer. Coisas que se digo não digo bem. É que são tão pequenas, infinitas, que nasceram pra ficar sem dizer. Não se permitem existências verbais, não gostam de ser nomeadas. Pequenas que são, já notaram que o conceito enfraquece. Não querem adoecer de dicionários. Tampouco em dicionários. Sofrem - e de nada mais aceitariam sofrer - do bem do tudo. Essas tais coisas, infinitas, que habitam-me em sentimentos de vaziação, não aceitam que apequenem sua completude em formas de quatro ou cinco letras. Nem amor lhes serve. Meus sentimentos querem Ser. Não querem que eu use Meu em frase alguma que fale deles. Eles são eles, ora. Formam-se por todos os lados, multiplicam-se, mas não se afronteiram. Nem mesmo de mim. Desconhecem que Ser é uma coisa grande, porém, por logicação, acreditam que coisas são seres grandes. Acho às vezes que mora em mim um outro ser: verbal. Lírico. À bem da verdade acho que são outros seres, que invisíveis e fortes brigam por não ter nomes senão o meu mesmo. Usam disso pra se esconder. Já li em livros que para viver há seres que não gostam de ser, só de existir. E que sofrem, fazendo-nos sofrer.

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