Numa piscada ainda a pouco atinei
Que pra alguns a vida é de natureza destinal.
Foi um clareamento, tipo uma ciência
bem num segundo de fechado os olhos.
Vi ali que os azuis são a parte menor
dessa vadiagem no tempo.
E que vida de gente tem muito é vermelho.
Claro que roxo, verde, amarelo, por
vezes que também tem
Porém já notei que o que mais vai se ver é
vermelho mesmo.
Quando crescer contarei pro meu
filho dessa alquimia das coisas
Ele por seu turno contará para o meu
neto
Que também tentará, sem sucesso,
Azular os tormentos do neto do meu
filho.
Sem sucesso.
- Tormento é de um verde-escuro
inlavável.
Entendo só hoje por que que é que meu
pai não me revelou dessas coisas:
Era sábio.
O velho sabia da inexorabilidade das
cores.
Há uma liberdade nos coloridos da
vida
A gente é que é preso.
Sorte é não ser apanhado por uma cor só
E ser levado por ela até quando a morte.
Tem marrons que carregam a gente:
São aqueles de um ardor mais amargo.
Isso meu avô que me disse
No final de uma tarde
Todo encardido de cachaça.
Para a própria tristeza
Meu avô era preto
Meu avô era preto
E por isso bebia.
Tive uma irmã que já foi arco íris.
Ao contrário do meu pai
Hoje não sei onde ela tá.
Penso por certo que divinizou-se:
Voou como fosse a própria cor.
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