Em que será que pensava aquele
menino? Em que pensaria aquele menino? Em que fracassaria aquele menino? Dentre
as várias definições da vida, identifico-me geralmente com as mais pessimistas
– realistas, corrigiriam alguns –, com aquelas que a definem como o encadeamento
de fracassos e frustrações. Nesta perspectiva a vida é o exercício das
expectativas, das esperanças, é a capacidade de esperar aquilo que não sera realizado. Viver é sonhar. O encadeamento de
amanhãs depende da disposição para esperar. Vive quem espera. Enquanto há
esperança, há vida, e não o contrário, como lembra o nosso Mário Quintana. O
que esperava da vida aquele menino? Daquele menino, o que esperava a vida? Não,
não pode ser, não é assim, pois é o menino que espera da vida, é ele que
escolhe ou não permanecer ou partir dela, dessa maldita corrente de expectativas
frustradas, de dia-a-dias de nãos. Ah, aquele menino, sonhador, menino. Menino tímido, tranquilo,inseguro, menino. Ah, aquele menino. Felizes são os meninos, pois da vida cuidam apenas de viver. E vivem.
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