Eu e ela? Não. Com o nosso bloco foi diferente, quanto mais ele se esvaziava mais a gente se avizinhava, mais a gente se aproximava. Nas ruas do nosso carnaval, quanto mais espaços, mais juntos e menos separados. Quanto mais sozinhos, mais bloco a gente foi, mais bloco a gente ficava, mais bloco a gente era. Sim, nós crescemos assim, tivemos que crescer assim, foi único o jeito, ir se fortalecendo, se solidificando, ir se cimentando. Virando bloco, massa mesmo, conjunto. No fim, um conjunto de dois.
Nosso bloco era a esperança um do outro, a esperança de que nunca seríamos Eus sozinhos. Era pacto. Impacto combinado no silêncio desesperado de abraços de choro forte e doído, onde o peito de um empurrava o do outro, alternando a respiração. Era assim que a gente ia, ora um, ora outro. Nem precisava falar, o próprio corpo combinava, se encaixava. Ela explodia, eu segurava, eu me implodia, ela me abraçava, forte, reunindo os pedaços. O inchaço do coração de um desaguava no peito do outro, sempre, aspirando e expirando, inspirando e respirando, até se acalmar, se acalmarmos.
E assim fomos um, dois, três carnavais. Pulando juntos, alternadamente, de mãos dadas. Eu era 12, ela era 8, eu corria, ela caminhava, ela partiu e eu fiquei. Sem aviso prévio, ela partiu nosso pacto e acabou nosso carnaval em plena segunda-feira. Com mais uma baixa eu não tive outro jeito, não tive outra opção, guardei a camisa e fechei nosso bloco. Sem ilusões, sem fantasias, desatinei, descarnavalizei. Hoje, de janeiro a janeiro, só realidade, verdades duras, desalento. Sem o nariz de palhaço, a própria vida é quem ficou de cinzas. Sozinho, o bloco doeu.
...e nos corações saudades e cinzas foi o que restou. Toquinho e Vinícius.
Nosso bloco era a esperança um do outro, a esperança de que nunca seríamos Eus sozinhos. Era pacto. Impacto combinado no silêncio desesperado de abraços de choro forte e doído, onde o peito de um empurrava o do outro, alternando a respiração. Era assim que a gente ia, ora um, ora outro. Nem precisava falar, o próprio corpo combinava, se encaixava. Ela explodia, eu segurava, eu me implodia, ela me abraçava, forte, reunindo os pedaços. O inchaço do coração de um desaguava no peito do outro, sempre, aspirando e expirando, inspirando e respirando, até se acalmar, se acalmarmos.
E assim fomos um, dois, três carnavais. Pulando juntos, alternadamente, de mãos dadas. Eu era 12, ela era 8, eu corria, ela caminhava, ela partiu e eu fiquei. Sem aviso prévio, ela partiu nosso pacto e acabou nosso carnaval em plena segunda-feira. Com mais uma baixa eu não tive outro jeito, não tive outra opção, guardei a camisa e fechei nosso bloco. Sem ilusões, sem fantasias, desatinei, descarnavalizei. Hoje, de janeiro a janeiro, só realidade, verdades duras, desalento. Sem o nariz de palhaço, a própria vida é quem ficou de cinzas. Sozinho, o bloco doeu.
...e nos corações saudades e cinzas foi o que restou. Toquinho e Vinícius.
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