terça-feira, 30 de abril de 2013

Corrida


- Por que Eu, exatamente Eu, não sinto nada? Pergunto-me sempre que corro. Um ataque, um cansaço diferente, um mal súbito qualquer serviria. Mas não, você não, é o que responde meu corpo impassível e pretensioso, como se fosse muito forte.

Eu, quando comecei a correr ainda não sofria, estava bem, recuperado da primeira queda e corria apenas para emagrecer alguns quilos, perder a barriga, mas depois fui gostando. Fosse eu biólogo ou químico, ou esse texto datado de 4 anos atrás, certamente eu tributaria esse prazer à endorfina. Hoje, contudo, eu não seria tão leviano, e cometeria uma imensa injustiça comigo mesmo se negasse o prazer de estar só.

Durante a corrida eu penso na vida e conto o tempo de forma diferente. Ali - liberto, tranquilo, eu mesmo - eu tenho, dependendo da disposição, em torno de 5 a 8 Km meus no dia, dos quais não divido um minuto sequer com um rosto familiar, ultimamente insuportáveis. Na pista, eu sou in-divido, e, ao menos em sensação, pleno.

Nesse espaço-tempo convivo somente com minhas músicas e angústias, e embora corra pelas minhas medalhas, nem sempre almejo vitórias. Já corri pelo futuro, planejando, imaginando e chegando; pelo presente, fugindo, refletindo e me cuidando; porém, ultimamente,  eu corro - quase sempre - pelo passado, pelas lembranças. Correndo, seguindo em frente, eu vejo ali a minha máquina do tempo, que não intenta pará-lo, mas apressá-lo dignamente. E esperançoso, eu corro.

Há algum tempo fiz um teste, queria ver o quanto meu corpo suportava. A ideia era chegar ao limite, passar dele, ver as consequências, o estrago. Nada. Fiz cinco, oito, na raça eu cheguei aos dez Km, continuei até doze, sei lá. Nada. À linha de chegada, alcancei vivo, morrendo no máximo umas 800 calorias, talvez 1000. Entretanto, em tempo, e sem que desejasse, bati um recorde, cheguei até aqui à frente de todos. Ninguém a frente, ninguém atrás, ninguém ao lado, ninguém mais corre comigo.

Os treze Km, insuficientes para vencer o coração, não  me deram sucesso, nem com a barriga nem com o passado. Ainda assim, preso ao presente ao final de cada jornada, eu sentia no peito a medalha vermelha, suada, batendo sua ironia - covardemente - na minha cara. Contra a derrota eu armo vinganças a cada semana, mas fracasso. Já alcancei os 15 e, pelos meus cálculos, ultrapassarei os 17 Km em duas semanas. Se a vitória não me impedir, correrei a Pampulha em dezembro e a São Silvestre em dois anos. São 42 Km. Dessa última, eu sei, o coração não escapa.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Felicidade !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ao contrário de alguns meses atrás, dessa vez eu optei por fingir, isso, dissimular mesmo. É que olhando bem, com bastante cuidado e, ora bolas, por que não, com a grande experiência adquirida, percebi que só se volta a viver desvivendo. Foi assim outras e já muitas vezes e, a despeito do cansaço, é assim que tem de ser, e de novo. Um sorriso aqui, outro ali, um estamos levando acolá e a galera fica satisfeita (a  gente também, mas não se pode admitir), e assim, de fato, a gente vai vivendo, ou desvivendo, confesso que ainda não sei.

É que quando a dor é muita, a falsa vida é a vida, porém, quando a dor tá adormecida, a falsa vida é a vida  também (só que nesse caso a gente finge que acredita e sorri pra geral). A gente (e uso gente por que a gente não é mais pessoa, mas só coisa depois de tanta perda) a cada dia que passa, sorri cada vez mais e escreve cada vez menos. Por quê? Por que é assim que as coisas são, afinal, a vida é bonita é bonita e é bonita.

Ah, claro, e tem outro motivo: a vida é bonita e sempre será, enquanto a gente fica feio. Isso, feio. Feio a cada vez que fica triste em público, a cada festa que deixa de ir por que desanimou, a cada postagem chata pra caralho que enche a timeline alheia de choração passada, afinal, já fazem 5 meses, ou 2 anos, ou 3 ou 9 anos... e esse menino não pára com essa choração: vai procurar um psicólogo, porra!

- Ah, tadinho, é mesmo, eu havia me esquecido, agora ele ta chorando pelo outro, ou pela outra? ai, não sei, quem morreu agora por último? Deixa eu ver a última postagem dele. Uai, estranho, pra mim o pai tinha morrido há mais tempo. Olhando aqui parece que foi ele o último. - Ele? Ele morreu? Não, acho que não. Ele tá bem, tá feliz!

Enfim, o fato é que a gente tem de sorrir, e é muito por que a gente mesmo quer. Isso, é verdade, a gente quer, já que  nós gostamos da vida, até por que, se a gente não gostasse, você acha que eu tava aonde? Mas a questão é que tem dia que cansa, e aí, meu amigo, foda-se o Facebook e a porra toda, afinal, só clica nesse link quem quer, já que ultimamente, no público, eu compartilho só alegria... Viveeeeerrr, e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar...