João Vitor Heliodoro Nascimento foi o menino mais bonito que conheci. Fácil, ponderado, bom de gostar. Por ele eu sentia qualquer coisa bem maior que essa palavrinha de quatro letras que hoje se diz pra qualquer um, às vezes, com não mais que um sinal, ♥.
Não, por ele era mais. Era tanto gostar que a gente não dizia, a gente era, e só. A língua, naquela época, ainda era pequena e não dava conta de expressar a gente. A única forma de falar de nós dois era escrevendo agente. Isso, assim mesmo, junto, igual agente ficava o dia inteiro. Ele no violão, e eu, do lado, sendo.
Talvez por isso fosse fácil gostar dele. Porque ele era eu, e eu, era ele. Amando-o, eu me amava. No violão, eu era ele, enquanto ele, quando olhava no espelho, via eu. Éramos assim, éramos agente. Não tinha eu e não tinha ele, tinha Nós.
É por isso que hoje ficou só eu. Metade séria, sisuda. A parte bonita, sorridente, era ele. Meu nós ficou vazio, minúsculo. Cheio só de Eu eu não funciono bem, e pela vida, apenas perambulo, vago.
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