domingo, 6 de janeiro de 2013

s.f. 1. Ato de perder ou perder-se


A perdição é uma maldição, um vício. Como um alucinógeno ela assusta e atenta. Depois de se perder pela primeira vez sentirá vontade de continuar sempre perdido. A tendência é se embrenhar cada vez mais profundamente nessa floresta escura que é a reflexão. É que o mundo de respostas prontas e acabadas deixa de ser interessante e seguro. Torna-se incômodo. Ele se revelará falso e ainda cada vez mais falso a cada nova aventura na perdição. Essa, se não cintila verdade, ao menos não finge ser outra coisa. Nunca lhe prometeu segurança, e essa sinceridade é extremamente atraente. Há sempre dúvidas na realidade dura, lacunas, perguntas irrespondíveis. A perdição é a dúvida, essa é a sua verdade. Nela não há certeza, não existem mães, ciência ou Deus. Se quiser um, tem de ser você mesmo. Em geral, nessa floresta, as pessoas preferem não ser Deus. É disso que fogem ao caminharem sem bússola e sem lanterna. Andam pra dentro. Passos lentos ou rápidos, não importa, fato é que não tem volta. Não há por que deixar migalhas no chão se você não vai sentir vontade de voltar. Lamentará por alguma ou outra pedra e então se lembrará do chinelo esquecido, mas não chegará a olhar pra trás. Cansado, talvez você encoste-se a um arbusto, ofegante, mas apenas tempo suficiente pra não fazer escolhas e logo voltará a vagar, perdido.

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