sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Que raiva de todo mundo!


Essa frase não pode ser dita, nem escrita, é proibida. É que todo mundo entra aqui e ao ler isso fica bravo, ou brava. O problema é que todo mundo é egocêntrico, e acha que o mundo gira ao seu redor, assim, quando eu digo todo mundo, todo mundo acaba sempre achando que é com ele, ou com ela. Todo mundo não tem gênero nem orientação sexual, pode ser ele e pode ser ela. Indiferenciação, esse é o pior de todo mundo, sempre dá margem para inclusão. Por que todo mundo é todo mundo, não tem fora, e quando eu sinto raiva de todo mundo é de todo mundo - mesmo! - que eu sinto raiva. Todo mundo não tem exceção. Todo mundo é tudo, todos, eu inclusive. Ah, mas que raiva todo mundo, sobretudo por que ninguém nunca entende. Ou seria alguém nunca entende? Não, alguém é muito específico, e a minha raiva não é direcionada, ela é de todo mundo. Quem sabe ninguém seja melhor? Até por que, eu penso agora, se tenho raiva de todo mundo o problema pode estar comigo, portanto, com ninguém. É melhor não pensar assim, azar é de todo mundo, que raiva. Aliás, todos vocês, sem distinção, só me fazem raiva com essa incapacidade de entender que raiva de todo mundo é bem mais a expressão de algo inexpressável, de uma angústia indirecionável e de um temor inconfessável, do que verdadeiramente um sentimento ruim dirigido a todos ou a alguém que conheço. É de, não é contra. Espero que dessa vez tenha dado para entender. Apesar que o meu problema ninguém consegue resolver, nunca apareceu alguém que resolva.  Pensando por esse lado a culpa também é de todo mundo, malditos incompetentes, que raiva. Que raiva de todo mundo!

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