sábado, 26 de janeiro de 2013

Infidelidade


“Poesia não é tentar trepar pelas paredes, é trepar mesmo pelas paredes.” Lia sorrindo no livro rosa do Mário Quintana enquanto se encaminhava ao centro da cidade. O metrô estava vazio e sem dificuldade pode sentar-se, como de costume, de frente para o vidro espelhado. Sua vaidade, a cada túnel, saia de trás da porta para que ele pudesse conferir o cabelo. Além da leitura, a música no último volume completava a redoma que o levava seguro ao encontro da namorada. Ali dentro nada o importunava, saia somente para ajeitar o cabelo e os óculos na porta envidraçada, dominava tão bem o trajeto que não precisava pensar para achar os túneis, eles é que o achavam no intervalo de alguma estação.  Quintaneando, sozinho, consumia distraído o seu caminho.

De repente, a deleitar-se com alguma sacada do amigo poeta, levantou do livro os olhos risonhos rompendo num só pensamento sua bolha protetora. - Linda! Antes que ela o fitasse de volta, rapidamente laçou pela cauda os olhos, trazendo-os - a tempo - ao abrido do poeta que ria maliciosamente. Quinze minutos depois, num beijo ardente, cumprimentava sua amada na saída da estação central.

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