quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Cão e gato


Maldita saudade. Sorrateira, só me ataca a noite, quando ninguém há por perto.
Benvinda saudade, manhosa. Como um gato, sabe que lhe dou mais atenção à noite.

Durante o dia está sempre se esquivando, mal aparece para tomar água. Ao desatento visitante parece que moro sozinho, eu e a indiferença. Odores? Nem bons nem maus.

Nenhum pelo no chão, nenhuma almofada rasgada. Eu remendo todas logo ao me levantar que é pra não ter de responder às perguntas tolas que ninguém faz.

Das madrugadas agitadas? - Não, ninguém pergunta. Também não dá pra saber. Ela chega, toma da água, come alguma coisa e logo parte. Às vezes fica.

- Sim, sim, fui eu que adestrei. Minha saudade é tranquila, meu choro é que é escandaloso. Filhote, ele ainda é muito intempestivo. Não resiste vê-la chegar e sai latindo alto atrás dela.

- Ela? Nada, nem liga. Sobe no guarda roupas e fica lá, indiferente, lambendo a pata até de manhã. Eu nem noto quando se vai, e só a vejo na noite seguinte.

Um comentário:

  1. Parabéns pelo post! Gostei muito do teu blog;
    Vem conhecer o meu:

    leiakarine.blogspot.com

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