Maldita saudade. Sorrateira, só
me ataca a noite, quando ninguém há por perto.
Benvinda saudade, manhosa. Como
um gato, sabe que lhe dou mais atenção à noite.
Durante o dia está sempre se
esquivando, mal aparece para tomar água. Ao desatento visitante parece que moro
sozinho, eu e a indiferença. Odores? Nem bons nem maus.
Nenhum pelo no chão, nenhuma
almofada rasgada. Eu remendo todas logo ao me levantar que é pra não ter de
responder às perguntas tolas que ninguém faz.
Das madrugadas agitadas? - Não,
ninguém pergunta. Também não dá pra saber. Ela chega, toma da água, come alguma
coisa e logo parte. Às vezes fica.
- Sim, sim, fui eu que adestrei. Minha
saudade é tranquila, meu choro é que é escandaloso. Filhote, ele ainda
é muito intempestivo. Não resiste vê-la chegar e sai latindo alto atrás dela.
- Ela? Nada, nem liga. Sobe no guarda
roupas e fica lá, indiferente, lambendo a pata até de manhã. Eu nem noto quando
se vai, e só a vejo na noite seguinte.
Parabéns pelo post! Gostei muito do teu blog;
ResponderExcluirVem conhecer o meu:
leiakarine.blogspot.com