- E aí, o aniversário dela,
como passou? Ah, pensei que fosse ser pior, mas a gente vai levando, sem nem
saber que dá conta. Não, esse diálogo não existiu. Ele já sabia que haviam
assuntos proibidos no mundo dos homens e não precisava de mais uma prova, no
entanto a vida fazia questão de lembra-lo. Aliás, corajosa, a vida era a única.
Era a única a lhe tocar a ferida.
Os homens nunca o falavam do
passado, temiam fazê-lo chorar.
Ingênuos, não imaginavam que falar do futuro é que o cortava a espinha.
O passado, embora não fosse todo felicidade, a seu favor trazia a certeza do
fato acontecido, enquanto o futuro... Ah, o futuro. O futuro parte do
infinitivo, exige fazer, realizar, planejar, trabalhar, estudar, pesquisar.
Acontecer. Um verdadeiro chato que não para de dar ordens. E dos pés à cabeça
aquele homem era só passado. Sua esperança um urubu pintado de verde. Ora, e
qual o problema de chorar? Chorar. Respeitava sem entender. Mas fato é que o
dia passou, besta, invisível como uma terça-feira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário