quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Aniversário

- E aí, o aniversário dela, como passou? Ah, pensei que fosse ser pior, mas a gente vai levando, sem nem saber que dá conta. Não, esse diálogo não existiu. Ele já sabia que haviam assuntos proibidos no mundo dos homens e não precisava de mais uma prova, no entanto a vida fazia questão de lembra-lo. Aliás, corajosa, a vida era a única. Era a única a lhe tocar a ferida.

Os homens nunca o falavam do passado, temiam fazê-lo chorar.  Ingênuos, não imaginavam que falar do futuro é que o cortava a espinha. O passado, embora não fosse todo felicidade, a seu favor trazia a certeza do fato acontecido, enquanto o futuro... Ah, o futuro. O futuro parte do infinitivo, exige fazer, realizar, planejar, trabalhar, estudar, pesquisar. Acontecer. Um verdadeiro chato que não para de dar ordens. E dos pés à cabeça aquele homem era só passado. Sua esperança um urubu pintado de verde. Ora, e qual o problema de chorar? Chorar. Respeitava sem entender. Mas fato é que o dia passou, besta, invisível como uma terça-feira.

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