sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Cê lá faz ideia?

Você lá faz idéia? Há uma música do Emicida com este nome. Nela, o promissor cantor de Rap provoca a sociedade se dizendo vítima de preconceito racial, social e quantos outros mais pudesse lembrar. Aliás, esse povo adora sofrer, negros, homossexuais, nordestinos, pobres e até as mulheres deram pra se rebelar de umas décadas pra cá. Quanto sofrimento. Parece que o mundo só pesa na cabeça das minorias. No entanto, e não sei bem por que, identifico-me com a canção.


Suponho que pela vitimação. Não costumo admitir, mas acho que, assim como o Emicida, eu talvez tenha uma tendência a transformar coisas normais em grandes dramas pessoais, convertendo moinhos de vento em enormes gigantes e ainda sim perdendo a batalha. Não por falta de capacidade ou de habilidade com a espada, mas por achar muito mais interessante o papel do derrotado. É estranho, mas acho que ele desperta certa admiração, pena talvez. Além disso, o derrotado pode ficar ali no lugar onde está, e seu futuro medíocre já está justificado. Além do mais, eu nunca soube expressar a soberba exigida ao vencedor.


Mas voltando ao Rap, Emicida acha que ninguém faz idéia da sensação de ser confundido com um ladrão. Claro que faz, meu caro: não é privilégio seu, é normal. As coisas acontecem com todo mundo. Todos passam por isso e por qualquer outra coisa, é como perder um irmão, ou irmã, como queira, não tem segredo. Você a vê pela manhã no sábado e vai trabalhar. À noite, ao retornar, você come alguma coisa enquanto assiste ao jornal, ela cai, você acode e espera a seqüência. Telefonema – Choro - Raiva – Abraço – Sono – Velório – Café – Abraço – Abraço – Abraço – Abraço (...) – Segunda – Abraço – Terça – Abraço – Quarta – Visita – Abraço - Quinta – Sexta – Fevereiro – Março – Abril – Maio (...). Emicida, pare de reclamar e toque sua vida! Afinal, o mundo não pára por que te discriminaram ou por que alguém morreu. Amanhã já é segunda-feira, de novo.


Sabe, essas coisas acontecem com todo mundo. Se existe algo de fato democrático é o sofrimento. Claro que com alguns as coisas se repetem mais, com outros um pouco menos, mas todos sofrem. Todos fazem idéia.


Eu duvido muito, mas vamos supor que exista alguém que nunca passou pelo que você ta dizendo: desemprego, racismo, etc. Ainda assim, ela faz idéia do que você sente. Todo ser humano possui a faculdade de compreender, ou seja, de “entender junto”. O dicionário garante que é possível, e ainda relaciona “alteridade”, “compaixão”, “pena”, “empatia”, “abranger”, “entender”, “incluído”, “contido” e outras muitas palavras que sugerem a possibilidade real de se sentir – proximamente - a aflição alheia. Portanto, reafirmo, eles fazem idéia sim. Eles sabem o que a gente tá passando.


E já que falei de mim, se me permite farei uma auto citação apenas pra exemplificar. Muita gente já perdeu um irmão, milhões já perderam um pai e outros tantos já enterraram uma irmã, ou até duas. E todos eles estão por ai, felizes, tocando suas vidas. Saindo, se divertindo, trabalhando, estudando. E olha que conheço muitos em situação semelhante. Alguns, meu caro Emicida, perderam consecutivamente essas pessoas e nem por isso estão melancólicos fazendo música pra reclamar da vida, ao contrário, fizeram desse drama a sua hora, desse limão uma limonada, e vendo a vida por óculos otimistas hoje já planejam o que fazer com as camas que sobraram, com o novo padrão de renda familiar ou nas mil maneiras de, agora, poder tomar todos os seis potes da bandeja de iogurte. Puro, com aveia, de colher, canudinho, com o dedo, com a tampa, etc. Há sempre um lado bom nas coisas, é só escolher de que lado observar.


Eu, infelizmente, ainda não fiz minha limonada, e só estou fazendo música por enquanto. Aliás, nem isso. Porém, embora me identifique com a sua postura, eu discordo da forma como você encara o problema, ou o que você chama de problema. Levante a cabeça, pare de reclamar e dê a volta por cima. Ora, ouça os conselhos de quem praticamente – não fosse por algum detalhe ou outro – sabe o que a gente ta sentindo e siga em frente. Levante-se, estude, divirta-se, vá ao cinema, trabalhe, planeje. Mesmo sem ter passado pela mesma experiência, eles sabem o que dizem. Sim, eles fazem idéia. Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito vagamente, mas fazem. Dizem.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Vontade


Ir para um retiro, distante das ligações, dos convites, dos eventos, das obrigações sociais...

Silêncio, por favor.



Às vezes. Não. Muitas vezes. Alias (e pra ser sincero) quase todo tempo tenho tido muita preguiça daquilo que qualquer pessoa possa dizer sobre o que tenho passado. Duvido que seja pelo prazer de discordar, afinal, nunca fui de ser "do contra". Conciliador, andei quase sempre no caminho do meio, mesmo quando discordava, sobretudo nas coisas corriqueiras. Nunca gostei do preço que se paga por emitir sua real opinião sobre as coisas. Porém, dessa vez, definitivamente eu não estou com a menor paciência para frases feitas. Alias, dada a infeliz frequência dos eventos, qualquer frase ou é cansativa, clichê, ou repetida. Tenho a impressão de que já ouvi tudo, absolutamente. É sempre alguma coisa parecida com qualquer outra que alguma pessoa já me disse. Não é pretensão ou pesquisa, é experiência, infeliz, mas ainda sim experiência. Não há nada de novo naquilo que qualquer pessoa possa me dizer, seja ela cética, compreensiva, religiosa, otimista, kardecista, racista, fascista, humorista, etc. Ainda que não exatamente, mais ou menos eu já sei o que vou escutar, muito embora as repetições literais não sejam raridade (com os mais velhos então, é cada uma que vocês não sabem o que eu passo). Sócrates que me desculpe, mas eu sei.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

stand by


Machismo, homofobia, racismo... aff, ando com problemas demais para pensar nos outros.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

João e o Pé de feijão


Tivesse coragem colocava um sapato novo e saia por aí sem avisar ninguém.

Desaparecimento




...eu preciso andar por um caminho só. Eu escrevo e te conto o que eu vi e me mostro de lá pra você.

E agora, o amanhã?


...sobre estar, só eu sei.
..sobre estar só, eu sei.
.sobre estar só eu sei.

Segunda-feira

E nasce outra segunda-feira exigindo planos que eu não estou afim de fazer. E não vou fazê-los.

sábado, 24 de novembro de 2012

Raiva sem direcao


Às vezes me da uma vontade de xingar todo mundo, ninguém especialmente. Não é uma raiva das pessoas, mas de mim mesmo, dessa situação. Vontade de entrar numa briga, numa discussão, de socar algo que represente essa desgraça, algo que materialize esses diversos sentimentos estranhos e contraditórios que, desse jeito, enquanto estão invisíveis, me matam impunemente.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

?

Por que todo mundo tá rindo, saindo, fazendo festa?

Parei de fingir


- E ai, como é que cê tá?
- Mal uai, que pergunta idiota!

Pra chorar (4)



Aquele show, a chuva. Eu, você, o João. Essa aqui é pra você Ana. Será que é tarde demais?

Pra chorar (3)


Ao João e meu pai.

Dúvida

Não sei por quem mais eu estou chorando, se por algum deles, se por todos, ou por mim mesmo.

Pra chorar (2)


Ao meu pai.

Pra chorar


"Último desejo", de Noel Rosa, por Araci de Almeida.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Certeza

Sobre o futuro apenas uma: vou ficar sozinho.

Regressão

Andei relendo algumas postagens. Algumas poderiam ser assinadas por uma criança de 10 anos. Mas são sinceras, e talvez daí decorra esse aroma infantil. Não é só a felicidade que faz renascer a criança que ainda existe em cada adulto - e tampouco esse clichê -, a tristeza também consegue. Sobretudo a repentina. Medo de espelho, da casa vazia, da madrugada, do escuro e de fechar os olhos. Mãããe... maaannhê!