sábado, 25 de fevereiro de 2012

Tempo

A nossa contagem do tempo é diferente, nosso ano não termina em dezembro. O meu, aliás, já acabou há muito tempo. Será que foi só o ano? Para os outros, ou melhor, pra vocês, já se passaram 8 meses. Nossa, já fez um ano?, dirão. Para mim, à minha percepção, ainda é o dia seguinte a cada manhã.

Creem que estou melhor, mais animado. Ilusão? Não, mas uma realidade momentânea, passageira, uma resposta à demanda social. Na verdade, aqui dentro, a tristeza ainda é senhora, é ela que me possui e me toma quando quer, do mesmo jeito e com a mesma intensidade do dia seguinte. Pontualmente, a cada manhã, mostra-me esse vazio que é a minha realidade. Nesse instante, a cada acordar, todo o resto parece um sonho, uma falsa realidade, não mais que uma distração.

A sensação é a de que todas as minhas ações tem consistido apenas em um "não tentar pensar nisso", todo tempo, e nessas horas nada do restante tem a devida consistência. Apesar disso, em função do maldito tempo, vai se tornando mais difícil encontrar alguém pra conversar. Eu entendo por que para as pessoas é cada vez mais distante: foi um só velório, um abraço, um evento. O tempo vai corroendo a empatia e a compreensão dos primeiros dias, meses, talvez anos. Nada demais, nada anormal, pois compreensão e empatia, no limite do significado, nunca existiram, nunca existirão. Com o passar do tempo percebemos que só a escrita - por mim e por ela mesma limitada - desafoga (por pouco tempo). E assim nasce um blog.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Fôlego... Suspiro... Digestão... Surpresa...Fôlego...Ritmo... Tempo...
    Menino Thiago, seus textos me provocam sensações estranhas, mas boas. Falta-me fôlego, as vezes, para acompanhar a intensidade das coisas por aqui e por aí vividas, preciso de tempo para digerir muitas delas. Ainda tenho a prepotência de achar que entendi o sentido das coisas neste blog, e logo , vem um "tapa na cara" e me mostra tantas linhas, cores e amores desta imensidão... E lembro, que por de traz de um blog, também bate um coração ( Risos).
    Quis comentar neste texto, que diz sobre o tempo... Sobre nada parar quando precisamos parar ( sei lá se diz isso mesmo, acho que sim e que não).
    E o texto me lembrou uma música ( acho que aqui tem espaço pra lembranças, não é?)... Ah, o nome da música é "Café Amargo", alguns de seus textos, para mim, são como cafés amargos... Gosto de café, o amargo é inerente a ele, mas é bom.
    "O tempo para pra quem?"
    Grande abraço!
    Segue o link:

    http://www.youtube.com/watch?v=zocxTQjcR9w


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