quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ode aos amigos


Quem nunca escreveu uma cartinha de amor que atire a primeira pedra. Namorados reais ou platônicos, não importa, todos já foram inspiração para se rabiscar num papel. Inspiração e coragem. Há pessoas que nunca escrevem senão quando estão apaixonadas. Eu mesmo, se estivéssemos ainda na era analógica, além de uma caixa de sapatos para os pequenos cartões, teria ainda uma pasta cheia, abarrotada, com os elásticos esticados de tanto peso, mais escritas que recebidas. Para prejuízo da caneta e da minha caligrafia, tenho atualmente alguns megabytes de escritos patéticos escondidos numa pasta de nome estranho. Para não ser descoberto uso um pseudônimo escolhido aleatoriamente dos créditos do CD de uma banda que eu gosto. Dia desses topei com meu homônimo na TV, descobri que é um músico e produtor respeitado.

As cartas de amor são ridículas, patéticas como devem de ser, pois falam de amor. Os indecisos falam de sentimentos que não conseguem descrever, os corajosos e prudentes arriscam um eu te adoro, enquanto os inseguros mentem descaradamente dizendo que não esperam resposta, ridículos.


Porém, todavia, contudo, estas, as cartas ridículas, são as cartas entre amantes. Pessoas cujo interesse - nem sempre mútuo - vai além da amizade. Nunca li na carteira da minha escola “Eulálio e Antônio se amam, amizade eterna”. Acredito que as meninas, educadas de forma diferente e melhor que os homens nesse sentido, tenham tido permissão para serem ridículas com as amigas desde cedo. Sortudas, por meio de abraços, cartinhas, presentes e outras intimidades podiam expressar seu amor pelo mesmo sexo sem sofrer gozação.


Os homens, antes mesmo de saberem o que é sexo ou de saber o que fazer com o seu além de se aliviar, aprendem a ser inseguros com ele. Não nos ensinam o que é certo, mas o que é errado. Qualquer mijada fora do penico é seguida de um “viado”, estridente, entoado por um gordinho com mais seio que a sua irmã. Era o seu ponto fraco, eu sabia, mas preferia ficar calado a apanhar por sugerir um sutiã.


Portanto, se um abraço no pai já era “uma coisa”, estranha, difícil, truncada, carta de amor a um amigo era impossível. Amizade de homem é séria, balizada na filha da puta da mãe do outro, não tem essa de eu te amo.


De fato, foi o que notei vasculhando a caixinha de sapatos do fundo das minhas memórias, o que a caixa do fundo do meu armário ajudou a comprovar, nunca escrevi ou recebi uma carta ridícula de um amigo. Nenhum eu te adoro falado ou escrito.


Logo eles, que mais que as amantes "estarão aí" pra vida toda, não sabem que eu os amo, não tem ainda uma prova do meu amor. Assim como meu pai, que a despeito de o Dia dos Pais ou meu amor por ele não terem deixado de existir, não recebeu uma só carta minha depois que deixei o primário.


Por sorte, hoje, mais velho, mais seguro e menos preocupado com a opinião alheia, escrevo cartas de amor aos meus amigos. Algumas, que não entrego, e que só serão reveladas por algum historiador de mim num futuro póstumo, e outras abertas, como essa aqui, postada num blog em que quase ninguém lê, senão eles, meus amigos.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sobre mães e filhos ou Por que odeio encontrar mães


A mãe, ou as mães, na mitologia cristã, possuem status de seres imaculados. A mulher, quando ascende a este lugar liberta-se do estima de Eva, agente do pecado inicial e responsável pela corrupção humana e assemelha-se à Maria, mãe virgem do menino Deus. Pura, irrepreensível, impecável, perfeita. Curiosamente, até onde se tem notícia, Maria é a única mãe que nunca amou, como um dia definiu perfeitamente Fernando Pessoa no ótimo poema da pomba estúpida. Curioso pensar o quanto demonizamos o sexo.

Para além de seus filhos preguiçosos e maridos infiéis esta é a cruz carregada pela maioria das mães de dois mil anos pra cá. Deixa-se de ser mulher e se conforma em mais do que uma fêmea que tem ou teve filhos como poderia simplesmente definir o dicionário, mas transmuta-se também em figura de linguagem, “mulher carinhosa, protetora, pessoa que chora facilmente”.

Aquele time é uma mãe, é o que no futebolês se diz de um time fraco, vencido por todos não opondo dificuldade alguma ao oponente. O adjetivo cabe também a uma amiga companheira de todas as horas, aquela gordinha que prepara o almoço e que não deixa panela suja na pia durante a festa de Réveillon. Gordinha por que mãe não pode ser gostosa, e nem vai à festa de Réveillon. As gostosas, a propósito, em geral estão ocupadas, sobretudo nestes grandes eventos.

Assim são as mães. Assexuadas, puras, bondosas, prestativas, carinhosas, enfim, mães. No entanto, e só venho percebendo de uns tempos pra cá, as mães tem uma faceta cruel que, diga-se de passagem, é pouco veiculada por uma imprensa suspeita, calada certamente por parte dos milhões movimentados pelo Dia das Mães. Refiro-me aqui à sinceridade materna, não a derramada sobre os próprios filhos pois sabemos todos da cegueira que atinge a todas as mães do mundo no que concerne aos defeitos de sua cria, mantendo com estes uma relação marcada pela complacência, mas a sinceridade contra “O outro”. Aquele que não é seu filho, irmão ou pai. Não cito o marido visto que este sente o peso da língua da virgem. Talvez por isso a Pomba tenha optado pela moderna ideia de uma barriga de aluguel.

Conquanto possa ter me perdido numa longa introdução, defendo-me apelando para a sua necessidade, afinal, não se fala da mãe sem rodeios. A forma direta sugere ofensa.

Acontece é que um dia desses, caminhando pelo shopping encontrei uma mãe. E embora trouxesse a cara fechada, a cabeça levemente abaixada e um olhar estranho acima dos óculos como sempre faço em locais públicos, ela me viu, parou, e sorriu. Como não parar? Oi, você é o... Tiago, irmão da Ana, respondi recompondo a cara. Aqui, fulana, dizia se dirigindo a uma jovem de cara assustada, esse aqui é o Tiago irmão da Ana Luísa.

Cruel. Maldita mãe cruel. Em um segundo e meio desejei encontra-la um mês após a morte de sua filha e, sorridente, pará-la num shopping pra lhe apresentar aos meus amigos. Fulano, é dela que te falei, aquela que perdeu a filha, o pai e o esposo em menos de dois anos. Mas aí me lembrei da amizade com sua filha e, principalmente, que os filhos, ao menos enquanto jovens, não fazem isso. Essa crueldade inocente é prerrogativa das mães.

Fosse um filho, irmão ou pai de amigo, passaria direto. Faria, como eu mesmo tento sempre fazer, fingir não ver o conhecido e seguir. No caso dessa possibilidade ser impedida por um incômodo e indisfarçável encontro de olhares, um tchau discreto seguido de um andar mais apressado resolveria, e assim ambos seguiriam seu caminho enquanto a respiração se normalizava.

Contudo, com as mães, isso não acontece. As mães param, interrogam, comentam. Não fogem do assunto, sobretudo quando o assunto é o filho ou, neste caso, a filha da outra. É bem verdade que a cara de normalidade com que nos encaram tal qual a sinceridade com que perguntam sobre o que ninguém quer falar não é pior do que a cara de pena que em geral recebo dos pais ou filhos que, em geral mais cometidos, cuidadosos, e de menor capacidade cênica, ficam nervosos falando de qualquer coisa, exceto do realmente que importa.

Por fim, numa última denúncia, notei que as mães são solidárias com outras mães. E só. Suas perguntas sempre se dirigem a recolher informações sobre a minha. Lamentam sua desditosa sorte, se colocam no seu lugar e enviam-lhe um abraço prometendo uma visita em breve. De mim, nem uma pergunta sequer. Você tem que ser forte, cuide da sua mãe, dizem sem o menor pudor. Consolo-me por saber que a minha sabe que também sofro, e cuida de mim.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Passado, presente? e futuro?


Às vezes, quando passamos por experiências traumáticas, somos subitamente tomados por um sentimento paralisante. E diria um jogador de futebol, comigo não é diferente. A sensação é de que nada faz sentido, o que é verdadeiro em grande parte, sobretudo quando o fato traumático é repentino. Há um minuto você esperava encontrar sua irmã em casa; há um ano e meio planejava tocar percussão pra acompanha-lo no cavaquinho e há dois anos e meio talvez almejasse um bom emprego pra orgulhar o melancólico pai. Contudo, hoje, essas pessoas são fotos num altar da sala. É preciso reorganizar a vida, aprender a pensar sem estas pessoas, não contar mais com elas. Não que elas de fato fossem fazer alguma coisa concreta em prol de seus planos futuros ou que fossem únicos motivos pelos quais você buscava alcança-los, mas elas desempenhavam um papel fundamental, o de estarem lá.

Antes eu podia cita-los em rodas de amigos de qualquer boteco da noite de BH sem causar embaraço nos presentes que me conhecem profundamente ou em mim mesmo, rindo, e sem marejar os olhos. Eu também brigava muito com a minha irmã, dizia. Contava orgulhoso que meu irmão tocava aquela música melhor que eu ou que minha irmã já leu O Diário de Anne Frank. Ponderado tanto quanto sensato, meu pai também já foi grande referência quando o assunto era futebol.

É estranho. Meu passado hoje não é meu. É um passado que não se converterá em um futuro que, antes, era líquido e certo. Tudo bem, talvez meus filhos não tivessem avô, afinal, nem todo mundo tem avô, mas tios eles teriam. Eu sou o mais velho, por que não? Se o mundo fosse correto, os filhos deles é que talvez não tivesse um tio. Mas hoje, nesse futuro estranho e nunca previsto, os filhos que eu não terei é que não terão avô, tio, ou tias.

É difícil reelaborar esse futuro que não se precisa planejar, exatamente por que ele é certo, por isso nos dá segurança. Posso mudar de namorada, de carreira profissional, trocar os amigos e o sexo, mas não as pessoas que me apoiariam em qualquer uma dessas mudanças. Tampouco arriscar qualquer uma delas sem esse apoio. De agora em diante a margem de erro tem de ser menor. Pra onde correr em caso de fracasso?

Você tem muitos amigos. Amigos são irmãos que você escolheu pra vida e não os que a vida escolheu pra você. Bela máxima, verdadeira, e cruel. Amo meus amigos, mas são amigos, e ponto. Não dividiram comigo um passado remoto em comum, nunca levei nenhum deles à escola, e tenho minhas dúvidas se trancaria o curso que sempre desejei caso o moribundo fosse algum deles. Até por que eu amei os irmãos que a vida “deu” pra mim. Fui amigo de todos eles, sem exceção, e foram muitos. Foram. Não é fácil ter de usar o verbo no passado e por isso evito os comentários na mesa de boteco. Todos fazem, bebem, se divertem e brigam com seus irmãos. Hoje, no present continuous.

Meu passado mudou com extrema velocidade, tornando meu presente estranho e o futuro inexistente, a reescrever. Muitos papéis antes definidos agora estão em aberto e certamente nunca serão preenchidos. Terei de mudar a história. Meu presente e futuro são um quadro negro cheio de manchas de mãos que, sem tempo de pegar o apagador, apressadamente corrigiram erros nas frases mais simples da vida de qualquer pessoa. O irmão do Tiago toca violão e suas irmãs são lindas. O Tiago é o mais velho da Márcia. Não, escreve logo abaixo alguém com o resto do giz rosa, o único.

Fato é que, com tantas mudanças, exatamente na base, naquele local em que é inútil todo esforço de compreensão, fica difícil pensar no futuro. Pensar na semana que vêm. Pra que, ou pra quem vou atuar? É como se o tiro me acertasse sempre no coração, e o pior é que eu continuo vivo. Zumbizando nas séries de TV nas noites sem sono, nas mesas de boteco com um sorriso amarelo nos assuntos em que se machuca participar e nessa vida de planos interrompidos por uma dor paralisante, vida de por vir, uma eterna promessa. Um quase professor, quase historiador, quase antropólogo, quase irmão.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

sábado, 1 de dezembro de 2012

The Truman Show


Eu já estava deitado, quase dormindo, e então tive uma ideia que penso estar correta.
– O mundo gira ao Meu redor.

É sério, tenho quase certeza. Durante a infância eu já desconfiava, afinal, tudo só acontecia comigo, e agora, adulto, tinha a mesma impressão. Querem ver, olhem só como tudo o que acontece tem a minha vida como centro. Quanto à morte, por exemplo. Já morreram a Minha irmã, o Meu pai, o Meu irmão, o Meu avô - que desconfio não ser acaso o fato de ser Meu padrinho – e as Minhas bisavós.

- Ah, sim, mas eram todos da família dele, portanto, é claro que eram Seus, vocês poderiam me questionar. Mas não é isso. E cito a morte como exemplo exatamente por que esta, não sei por que maldita sorte, possui por mim especial predileção. Não é por acaso que seu exemplo servirá de pedra fundamental da minha teoria.

Reparem. Mesmo os que não eram da minha família eram Meus. Segue a lista. Morreu o pai de um amigo Meu. O pai de outro amigo Meu. O marido da Minha tia. O irmão de um amigo Meu. E pasmem, até o namorado da irmã da mãe de um amigo de colégio faleceu. Uma verdadeira perseguição. Mais que isso, um absurdo. Estão morrendo inocentes, pessoas de futuros promissores, simplesmente por possuírem comigo algum grau de relação!

Eu já não consigo dormir. A cada ligação, e-mail ou mensagem, eu já me preparo para o pior. – Quem será que “foi” agora? E Eu ainda tenho mãe, irmã, namorada e muitos amigos pelos quais eu temo. É um tormento. Mas o engraçado é que ela, a morte, nunca chega em Mim, e esse é o ponto crucial da Minha ideia, da Minha teoria. Claro que não chega e não vai chegar nunca, alias, a grande questão é: por que não chega? A resposta é simples, óbvia. – Por que não pode. Se me desligarem quem vai assistir a essa TV, para quem passarão esses programas? Pra quem essas pessoas vão se exibir, nascer, morrer, etc. Quem saberá que elas existem? Ninguém. Ou seja, se eu encerrar o mundo acaba, fica escuro, preto, como uma televisão desligada. Ou melhor, ao contrário. Uma televisão ligada, mas sem espectador algum. E a explicação eu já descobri há pelo menos 20 anos, ainda menino: só Eu assisto, Sou o único. Os outros apenas representam, vivem à minha janela e existem somente sob a minha vigília.

Eu já tentei mudar de lugar. Quando era criança eu costumava fechar os olhos, esperava um pouco, mentalizava uma troca de corpos, mas quando os abria estava sentado na mesma poltrona, no mesmo Eu. Ingênuo, na minha infantil crise existencial, eu refletia:  - E se eu morrer, o que acontecerá?


Na época eu apenas desconfiava, ainda não tinha certeza, mas hoje sei que se eu morresse seria o fim. Não só o Meu, mas de toda a humanidade. Quanto peso, não sei por quanto tempo consigo suportar.

Tiago 25/08/2012

PS: Escrevi e datei o texto. Hoje me deparei com ele, apenas corrigi e publiquei. Infelizmente, os eventos recentes confirmam minha teoria.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Cê lá faz ideia?

Você lá faz idéia? Há uma música do Emicida com este nome. Nela, o promissor cantor de Rap provoca a sociedade se dizendo vítima de preconceito racial, social e quantos outros mais pudesse lembrar. Aliás, esse povo adora sofrer, negros, homossexuais, nordestinos, pobres e até as mulheres deram pra se rebelar de umas décadas pra cá. Quanto sofrimento. Parece que o mundo só pesa na cabeça das minorias. No entanto, e não sei bem por que, identifico-me com a canção.


Suponho que pela vitimação. Não costumo admitir, mas acho que, assim como o Emicida, eu talvez tenha uma tendência a transformar coisas normais em grandes dramas pessoais, convertendo moinhos de vento em enormes gigantes e ainda sim perdendo a batalha. Não por falta de capacidade ou de habilidade com a espada, mas por achar muito mais interessante o papel do derrotado. É estranho, mas acho que ele desperta certa admiração, pena talvez. Além disso, o derrotado pode ficar ali no lugar onde está, e seu futuro medíocre já está justificado. Além do mais, eu nunca soube expressar a soberba exigida ao vencedor.


Mas voltando ao Rap, Emicida acha que ninguém faz idéia da sensação de ser confundido com um ladrão. Claro que faz, meu caro: não é privilégio seu, é normal. As coisas acontecem com todo mundo. Todos passam por isso e por qualquer outra coisa, é como perder um irmão, ou irmã, como queira, não tem segredo. Você a vê pela manhã no sábado e vai trabalhar. À noite, ao retornar, você come alguma coisa enquanto assiste ao jornal, ela cai, você acode e espera a seqüência. Telefonema – Choro - Raiva – Abraço – Sono – Velório – Café – Abraço – Abraço – Abraço – Abraço (...) – Segunda – Abraço – Terça – Abraço – Quarta – Visita – Abraço - Quinta – Sexta – Fevereiro – Março – Abril – Maio (...). Emicida, pare de reclamar e toque sua vida! Afinal, o mundo não pára por que te discriminaram ou por que alguém morreu. Amanhã já é segunda-feira, de novo.


Sabe, essas coisas acontecem com todo mundo. Se existe algo de fato democrático é o sofrimento. Claro que com alguns as coisas se repetem mais, com outros um pouco menos, mas todos sofrem. Todos fazem idéia.


Eu duvido muito, mas vamos supor que exista alguém que nunca passou pelo que você ta dizendo: desemprego, racismo, etc. Ainda assim, ela faz idéia do que você sente. Todo ser humano possui a faculdade de compreender, ou seja, de “entender junto”. O dicionário garante que é possível, e ainda relaciona “alteridade”, “compaixão”, “pena”, “empatia”, “abranger”, “entender”, “incluído”, “contido” e outras muitas palavras que sugerem a possibilidade real de se sentir – proximamente - a aflição alheia. Portanto, reafirmo, eles fazem idéia sim. Eles sabem o que a gente tá passando.


E já que falei de mim, se me permite farei uma auto citação apenas pra exemplificar. Muita gente já perdeu um irmão, milhões já perderam um pai e outros tantos já enterraram uma irmã, ou até duas. E todos eles estão por ai, felizes, tocando suas vidas. Saindo, se divertindo, trabalhando, estudando. E olha que conheço muitos em situação semelhante. Alguns, meu caro Emicida, perderam consecutivamente essas pessoas e nem por isso estão melancólicos fazendo música pra reclamar da vida, ao contrário, fizeram desse drama a sua hora, desse limão uma limonada, e vendo a vida por óculos otimistas hoje já planejam o que fazer com as camas que sobraram, com o novo padrão de renda familiar ou nas mil maneiras de, agora, poder tomar todos os seis potes da bandeja de iogurte. Puro, com aveia, de colher, canudinho, com o dedo, com a tampa, etc. Há sempre um lado bom nas coisas, é só escolher de que lado observar.


Eu, infelizmente, ainda não fiz minha limonada, e só estou fazendo música por enquanto. Aliás, nem isso. Porém, embora me identifique com a sua postura, eu discordo da forma como você encara o problema, ou o que você chama de problema. Levante a cabeça, pare de reclamar e dê a volta por cima. Ora, ouça os conselhos de quem praticamente – não fosse por algum detalhe ou outro – sabe o que a gente ta sentindo e siga em frente. Levante-se, estude, divirta-se, vá ao cinema, trabalhe, planeje. Mesmo sem ter passado pela mesma experiência, eles sabem o que dizem. Sim, eles fazem idéia. Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito vagamente, mas fazem. Dizem.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Vontade


Ir para um retiro, distante das ligações, dos convites, dos eventos, das obrigações sociais...

Silêncio, por favor.



Às vezes. Não. Muitas vezes. Alias (e pra ser sincero) quase todo tempo tenho tido muita preguiça daquilo que qualquer pessoa possa dizer sobre o que tenho passado. Duvido que seja pelo prazer de discordar, afinal, nunca fui de ser "do contra". Conciliador, andei quase sempre no caminho do meio, mesmo quando discordava, sobretudo nas coisas corriqueiras. Nunca gostei do preço que se paga por emitir sua real opinião sobre as coisas. Porém, dessa vez, definitivamente eu não estou com a menor paciência para frases feitas. Alias, dada a infeliz frequência dos eventos, qualquer frase ou é cansativa, clichê, ou repetida. Tenho a impressão de que já ouvi tudo, absolutamente. É sempre alguma coisa parecida com qualquer outra que alguma pessoa já me disse. Não é pretensão ou pesquisa, é experiência, infeliz, mas ainda sim experiência. Não há nada de novo naquilo que qualquer pessoa possa me dizer, seja ela cética, compreensiva, religiosa, otimista, kardecista, racista, fascista, humorista, etc. Ainda que não exatamente, mais ou menos eu já sei o que vou escutar, muito embora as repetições literais não sejam raridade (com os mais velhos então, é cada uma que vocês não sabem o que eu passo). Sócrates que me desculpe, mas eu sei.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

stand by


Machismo, homofobia, racismo... aff, ando com problemas demais para pensar nos outros.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

João e o Pé de feijão


Tivesse coragem colocava um sapato novo e saia por aí sem avisar ninguém.

Desaparecimento




...eu preciso andar por um caminho só. Eu escrevo e te conto o que eu vi e me mostro de lá pra você.

E agora, o amanhã?


...sobre estar, só eu sei.
..sobre estar só, eu sei.
.sobre estar só eu sei.

Segunda-feira

E nasce outra segunda-feira exigindo planos que eu não estou afim de fazer. E não vou fazê-los.

sábado, 24 de novembro de 2012

Raiva sem direcao


Às vezes me da uma vontade de xingar todo mundo, ninguém especialmente. Não é uma raiva das pessoas, mas de mim mesmo, dessa situação. Vontade de entrar numa briga, numa discussão, de socar algo que represente essa desgraça, algo que materialize esses diversos sentimentos estranhos e contraditórios que, desse jeito, enquanto estão invisíveis, me matam impunemente.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

?

Por que todo mundo tá rindo, saindo, fazendo festa?

Parei de fingir


- E ai, como é que cê tá?
- Mal uai, que pergunta idiota!

Pra chorar (4)



Aquele show, a chuva. Eu, você, o João. Essa aqui é pra você Ana. Será que é tarde demais?

Pra chorar (3)


Ao João e meu pai.

Dúvida

Não sei por quem mais eu estou chorando, se por algum deles, se por todos, ou por mim mesmo.

Pra chorar (2)


Ao meu pai.

Pra chorar


"Último desejo", de Noel Rosa, por Araci de Almeida.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Certeza

Sobre o futuro apenas uma: vou ficar sozinho.

Regressão

Andei relendo algumas postagens. Algumas poderiam ser assinadas por uma criança de 10 anos. Mas são sinceras, e talvez daí decorra esse aroma infantil. Não é só a felicidade que faz renascer a criança que ainda existe em cada adulto - e tampouco esse clichê -, a tristeza também consegue. Sobretudo a repentina. Medo de espelho, da casa vazia, da madrugada, do escuro e de fechar os olhos. Mãããe... maaannhê!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A casa




Diante da tristeza e melancolia do domingo a noite,
tão real e tão sincera,
o restante da semana parece falso, mentiroso e ilusório.
Festas, risos, gargalhadas e amigos.
“Quem me vê sorrindo pensa que estou alegre”.

Em casa a verdade aparece,
Clara e real,
Em oposição a falsidade da rua
Alegre e feliz, fugaz e banal.

Agente vive duas vidas,
Se ilude duas vezes,
Acha falsa a alegria da rua,
E insuficiente a tristeza da casa.

Dá vontade de parar,
De sumir,
De chorar,
De não voltar,
Mas ninguém entenderia... as pessoas nunca entendem
Pensam que estou bem ao me verem na rua... aff

Elas não conhecem a realidade da casa.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Liberdade ou solidão?






- Não, ele não vai mais dobrar. Já pode até se acostumar que vai viver sozinho. Desaprendeu a dividir. Covarde, se esconde atrás daquela cara de vilão e não percebe o que tem de bom no viver. Não, não adianta, ele não vai mudar, não vai ceder. É ele e Deus até o final.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Breáco - Criolo

Ilustra, a seu modo, o assunto do post anterior.


"Só pode falar de vida quem vive
Só pode falar de sofrimento quem sofre
Só pode falar de amor quem ama
Só pode falar de flow que desenvolve"

Saudade, texto e objetividade

"A casa da saudade é o vazio
O acaso da saudade, fogo frio
Quem foge da saudade
Preso por um fio
Se afoga em outras águas
Mas do mesmo rio"


O texto é dimensão curta demais para dar conta de toda realidade. É físico, concreto e duro. Pretensioso, diz falar de tudo, explicar tudo, até o que nem mesmo ele sente. Ele não é gente! Algumas palavras não deveriam constar no dicionário. Tristeza, solidão, dor e saudade, por exemplo. É muita petulância que uma meia dúzia de palavras queira expressar um sentimento que é pessoal, universalizar o único. Beira o absurdo. Você já tentou explicar pra alguém algum tipo de sentimento? Tenta. Duvido que terminarás satisfeito nesse engenho. Vai é sair frustrado, contigo e com o ouvinte que, coitado, nem tem culpa. A dor sempre vence o texto, seja escrito, falado ou cantado.

Pensei em sugerir, assim como o fiz com "solidão" de Argemiro Patrocínio, que os dicionários devessem associar músicas, poemas, pinturas ou outras formas de arte ao significado de determinadas palavras com o objetivo de melhor definição. Mas o que estou dizendo com "com o objetivo" se a proposta é justamente o contrário? Que objetividade há em saudade, tristeza, solidão? A música, por si, ou ainda que associada a mil telas ou poemas não seria capaz de definir nenhuma daquelas sensações. A música, na verdade, deveria vir depois. Pois é essa a impressão que temos da arte, a impressão que de expressa nossos sentimentos muito melhor que nós mesmos. Portanto, não é possível inverter o processo. É como usar um remédio sem doença. Quantas vezes a canção ouvida diariamente ganha um novo sentido do dia pra noite? Não foi a música que mudou, foi você, que agora está infelizmente pronto pra compreender - um pouco mais - o que aquele pobre diabo sentia. A gente só sabe, sente, fica triste, e pronto. E ponto. Não nos peçam pra explicar, por favor.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Peito Vazio


Tem muito buraco pra preencher ainda, mas alguns, certamente morrerão profundos, doloridos (...)

sábado, 30 de junho de 2012

Dicionário

Morte (latin mortis, mors): 1. Ato de morrer. 2. Fim da vida. 3. Quando as coisas perdem o sentido, o sol fica cinza, o futebol sem resenha, o violão calado. 4. Sensação de o mundo está vazio durante um tempo, ou melhor, com várias lacunas. 5. Quando a rotina, que já não andava lá muito completa, torna-se ainda mais vazia. 6. É quando sua casa parece uma festa, entretanto ninguém sorri (muito). 7. Quando durante 3 ou 4 dias você recebe muitos abraços e ligações, incontáveis alias, mas não é seu aniversário. 8. Momento estranho no qual todos querem te fazer rir, embora lhe dirijam a palavra tomando muito cuidado. 9. Sensação de raiva, de tudo e de todos. 10. Vontade xingar, gritar, espernear como uma criança - quando criança é de fato permitida esta ação. 11. Momento de ouvir frases feitas.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Meu sofrimento
Argemiro Patrocínio

Não sei
Porque
Tudo de mal
Acontece comigo

Tentei
Mudar
Em vão
Mas não consigo

Ninguém pode fugir do seu destino
Esse meu sofrimento é desde os tempos de menino

Ninguém pode fugir do seu destino
Esse meu sofrimento é desde os tempos de menino



"Ninguém pode fugir do seu destino, esse meu sofrimento é desde os tempos de minino"

Quando Argemiro Patrocínio, Cartola e Nelson Cavaquinho são a trilha sonora da sua vida certamente o filme não é uma comédia.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

:(





Marisa Monte

Se ela me deixou a dor,
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou,
A dor é minha,
A dor é de quem tem...
É meu troféu, é o que restou
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor,
Eu tenho a minha dor (...)


Queria escrever algo que dissesse sobre a dor como um troféu, sobre o fato gostar da dor. Talvez para explicar pros outros esse sentimento estranho, talvez para entende-lo em mim mesmo. Mas pensei um pouco. Não adianta explicar. Não é coisa que se aprenda lendo, ouvindo, estudando a experiência alheia. Tem de sentir. Quem nunca passou não entende. Espero, sinceramente, que nunca entendam.

"A dor é minha, a dor ..."

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sinal fechado



- Pois é, quanto tempo!
- Me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios!
- Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
- Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
- Pra semana, prometo, talvez nos vejamos… Quem sabe?
- Quanto tempo!
- Pois é… Quanto tempo!
- Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das
ruas...
- Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
- Por favor, telefone! Eu preciso beber alguma coisa,
rapidamente…

A cidade produz indivíduos blasé. Multidão = Liberdade. Ninguém sabe da sua vida pessoal. Multidão que invisibiliza. Que ótimo! Que merda! "Eu preciso beber alguma rapidamente... Vai abrir, vai abrir! ...adeus, adeus (...)" É a vida sempre em reticencias. Nunca completa, nunca vivida...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Disfarça e chora



"Chora, disfarça e chora", é o que canta Cartola falando de um amor não correspondido. Mas tenho pensado que nesse mundo não existe, de fato, espaço pra demonstração de sentimentos. Sejam eles de qualquer sorte. Como já ouvi certa vez, a própria cidade, em sua forma e agitação, representa a vida que não pára, a coletividade blasé. Não importa como você acorde, o ônibus continua passando, as pessoas continuam rindo nas esquinas ou na casa ao lado, o colégio funcionando, etc. É... o mundo não gira ao meu redor. O jeito é disfarçar e chorar. Ninguém quer te ver chorando, ninguém suporta alguém chorando. "Todo pranto tem hora".

"Ando triste, ainda que sorria, se pudessem ver o meu coração. Sorrio por convenção, sorrio por que me esqueço. Sorrio por que minto a mim mesmo essa verdade interna."

sábado, 26 de maio de 2012

Solidão - Argemiro Patrocínio



"Argemiro Patrocínio" (2002)

Certas coisas acontecem
Ouça quem se interesse
Em saber o que é solidão
É viver abandonado
É amar sem ser amado
É um vazio no seu coração

Quanto mais que se procura
Em noites claras ou escuras
Vive só em seu humilde barracão
Para ele as noites longas são mais frias
As esperanças são sombrias
Assim é a solidão

Solidão
Um fantasma que mata
E que maltrata o coração
É dor, angústia e sofrimento
O tédio é um eterno tormento
Assim é a solidão

Para além da definição do dicionário - apenas um significado ideal, aproximado - as palavras tem significados sociais, mais verdadeiros por que forjados no dia-a-dia do viver. E por vezes contraditórios em relação ao significado oficial. Se os dicionários se preocupassem mais com a realidade, com a dinâmica da vida, e se arriscassem além das definições estáticas certamente essa música deveria compor a definição ampliada de "solidão".

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A orkutização e a ressentida classe média



Todo espaço, seja ele real ou virtual, é marcado simbolicamente, sendo sempre associado consciente ou inconscientemente a um grupo social. Ricos usam isso, pobres usam aquilo.
Quando a internet começou a se popularizar no Brasil o Orkut era a rede social mais conhecida, então usada por poucos, evidentemente por aqueles que tinham internet – em geral, pessoas das classes médias, e os ricos, é claro.
No contexto de uma política de estimulação do consumo por meio da ampliação do crédito às classes mais pobres, e da invenção da chamada classe C (pobres cujo único direito garantido é consumir. Saúde e educação, ainda não. “Vai uma faculdade particular ai?”), o acesso à internet foi ampliado às classes menos favorecidas. (Pra quem não percebeu este último termo é um eufemismo, artifício discursivo ideológico que visa dissimular a realidade. Pois, como todo mundo sabe, os mais pobres são pobres mesmo e não tem favorecimento algum).
                Assim, esse espaço virtual deixou de ser interessante para os antigos frequentadores. O acesso à internet era (e ainda é) um marcador de classe e, o Orkut, era um meio de comunicação próprio desses poucos, era um meio "aristocrático". A essa altura, a maioria dos pobres ainda se divertia com as maravilhas de poder fazer uma ligação de casa.
                O Orkut, a partir de sua popularização, deixou portanto de marcar essa diferença, essa distância entre os "melhores" e os "piores", e é por isso que ele perdeu espaço. Estas pessoas (as de cima) tiveram que encontrar outro lugar com o qual se identificar, então frequentado "só por elas".
O Orkut foi pobretizado, e foi por isso que ele ficou ruim. Ele deixou de marcar uma diferença de classe. As diferenças de formato, aplicativos, interfaces, em relação a qualquer outra rede social são mínimas e esse discurso só serve para maquiar uma realidade: ninguém quer se associar a qualquer coisa que se relacione à pobreza. “Agora, qualquer um tem Orkut”. Para os pobres o Orkut significava progresso, melhoria. Para os da classe média em diante, sinônimo de pobreza. É nesse processo que nasce o termo “orkutização”.
Com o crescimento do Facebook a construção simbólica do Orkut enquanto rede social de pobre fica mais latente, mais visível. No entanto, (graças a Deus se ele existir) o tempo passa, e a rede social de Mark Zuckerberg é hoje também frequentada por pessoas das mais variadas classes e “sofre” (tadinhos) com o processo da chamada orkutização. Termo cunhado pela ressentida classe média, ele expressa de maneira muito clara o temor dessa turma do meio de perder seus espaços aristocráticos, mostrando como Eles se sentem cada vez mais incomodados por ter de dividir com negros e pobres o seu espaço, seja na internet, no trânsito ou no avião. A classe média pira!

Ps: “ah, que isso, elas estão descontroladas!”

quinta-feira, 1 de março de 2012

Fernando Pessoa

Cruz na Porta da Tabacaria

  Cruz na porta da tabacaria!
  Quem morreu? O próprio Alves? Dou
  Ao diabo o bem-estar que trazia.
  Desde ontem a cidade mudou.
  Quem era? Ora, era quem eu via.
  Todos os dias o via. Estou
  Agora sem essa monotonia.
  Desde ontem a cidade mudou.
  Ele era o dono da tabacaria.
  Um ponto de referência de quem sou
  Eu passava ali de noite e de dia.
  Desde ontem a cidade mudou.
  Meu coração tem pouca alegria,
  E isto diz que é morte aquilo onde estou.
  Horror fechado da tabacaria!
  Desde ontem a cidade mudou.
  Mas ao menos a ele alguém o via,
  Ele era fixo, eu, o que vou,
  Se morrer, não falto, e ninguém diria.
  Desde ontem a cidade mudou.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Tempo

A nossa contagem do tempo é diferente, nosso ano não termina em dezembro. O meu, aliás, já acabou há muito tempo. Será que foi só o ano? Para os outros, ou melhor, pra vocês, já se passaram 8 meses. Nossa, já fez um ano?, dirão. Para mim, à minha percepção, ainda é o dia seguinte a cada manhã.

Creem que estou melhor, mais animado. Ilusão? Não, mas uma realidade momentânea, passageira, uma resposta à demanda social. Na verdade, aqui dentro, a tristeza ainda é senhora, é ela que me possui e me toma quando quer, do mesmo jeito e com a mesma intensidade do dia seguinte. Pontualmente, a cada manhã, mostra-me esse vazio que é a minha realidade. Nesse instante, a cada acordar, todo o resto parece um sonho, uma falsa realidade, não mais que uma distração.

A sensação é a de que todas as minhas ações tem consistido apenas em um "não tentar pensar nisso", todo tempo, e nessas horas nada do restante tem a devida consistência. Apesar disso, em função do maldito tempo, vai se tornando mais difícil encontrar alguém pra conversar. Eu entendo por que para as pessoas é cada vez mais distante: foi um só velório, um abraço, um evento. O tempo vai corroendo a empatia e a compreensão dos primeiros dias, meses, talvez anos. Nada demais, nada anormal, pois compreensão e empatia, no limite do significado, nunca existiram, nunca existirão. Com o passar do tempo percebemos que só a escrita - por mim e por ela mesma limitada - desafoga (por pouco tempo). E assim nasce um blog.